Ainda é possivel amar?

 

GABRIELLY LOPES SOUSA[1]

GISELI PASSADOR[2]

 

RESUMO: Uma relação amorosa pode seguir caminhos inimagináveis e podem haver formas, tanto de contorná-la (consciente ou inconscientemente), como passar por ela. Com o tempo, o que achamos e definimos como amor, mudou; livros retratam o amor por responsabilidade que pode vir a se tornar “eterno” ou não, e hoje, vivenciamos um amor mais efêmero. O objetivo deste trabalho foi mencionar algumas informações sobre o amor e o vínculo que pode ser criado entre os amantes, com o intuito de trazer reflexão, pois o amor, tem sido tratado como uma coisa comum, que não precisa de zelo algum. O amor é uma dádiva que pode nos fazer pessoas melhores, mas o medo e a insegurança podem acabar nos afastando de tal presente, um relacionamento não é fácil, e é preciso que os dois trabalhem juntos para melhorar não só a relação, mas as suas experiências de vida. Quando um relacionamento dá errado, não há ninguém que possa ser culpado que não seja os próprios envolvidos. É necessário se esforçar para que funcione, é necessário que se faça acontecer o amor, e para que isso aconteça, a mudança pode acabar sendo imprescindível. A verdade no amor pode ser alcançada, e para isso, não se deve desistir.

 

Palavras-Chave: Amor; Medo, Insegurança, Relacionamento, Mudança.

 

ABSTRACT: A loving relationship can follow unimaginable ways and there may be ways to either get around it (conscious or unconsciously) or go through it. As time passes, what we think and define as love, changed; books picture love as responsibility that can become “eternal” or not, and today, we live a more ephemeral love. The purpose of this work was mentioning some informations about love and bond that can be created between lovers, with the goal of bringing reflection, because love has been portrayed as a trivial feeling, that doesn’t need any care. Love is a gift that can make us better people, but fear and insecurity can end up parting us from said gift, a relationships aren’t easy, and it is necessary both working together not just to improve their communication, but also their life experiences. When a relationship goes wrong, there is nobody to blame for except the ones involved. It is important to make efforts in order to make it work, it is necessary to make love worth feeling, and in order it happened, the change can end up being essential. The truth in love can be achieved, and for it, one shouldn’t give up on its partner.

 

Keywords: Love, Fear, Insecurity, Relationship, Change.

 

1. INTRODUÇÃO

É fato a mudança do que conhecemos como “amor”. Um ótimo exemplo a ser comparado com o que vivenciamos hoje, é um dos romances mais famosos de José de Alencar: “Senhora” de 1875; nele é possível encontrar a história de Aurélia Camargo e seu dilema sobre o valor de uma união, conhecida como dote, para enfim, se casar com Fernando Seixas. O livro retrata as condições que eram necessárias para se ter um “amor”: dinheiro; apesar do livro quebrar o paradigma da época com uma reviravolta na concepção de amor diferente da que era estabelecida baseada nas aparências e responsabilidades maiores que a sua consigo mesmo, ele ainda ilustra a ideia do poder e querer escolher amar e ser amado.

Em “O Cortiço” de Aluísio Azevedo de 1890, nós temos uma situação semelhante com os personagens, Miranda e Dona Estela, em que o pai de Dona Estela entrega uma certa quantia à Miranda para que ele se case com a filha. Tendo em mente a noção passada nesses dois clássicos da literatura brasileira do século XIX, qual a concepção de amor e união atual, no século XXI?

Atualmente, é muito comum o termo “ficar” quando se refere à uma relação de momentaneidade. Em “Amor Líquido”, é definido: “CSSs – ‘casais semisseparados’, ‘revolucionários do relacionamento’, que ‘romperam a sufocante bolha de casal’ e ‘seguem seus próprios caminhos’. Sua dança a dois é em tempo parcial. ” (BAUMAN, 2004, p. 53). Se a decisão de se relacionar é tão certa, por que o relacionamento é tão incerto? Essa é a pergunta norteadora da pesquisa. O tema se deve à descrença atual no amor.

Como alterar estas visões que podem ser consideradas erronias e presenciar o amor em sua forma verdadeira? Em “Modernidade Líquida”, é conceituada a ideia de sempre estarmos no piloto automático, ou seja, não paramos para pensar no que estamos fazendo e naquilo que está em nossa volta (BAUMAN, 2001).

O presente trabalho tem como objetivo trazer a reflexão sobre as relações amorosas atuais, no qual, pretende colocar em xeque a concepção do que conhecemos e definimos como amor. Demonstrar diversas visões de sentimentos humanos por olhos de autores diversos para entender comportamento humano em relação à, principalmente, o amor. O trabalho será dividido em partes expressamente ligadas ao tema: relacionamento, amor e mudança.

 

2.AMOR

O amor é um presente; o amor nos traz bem; o amor é uma raridade; o amor é uma benção. Amar nunca será uma moeda de troca, onde fazemos o que fazemos para sermos recompensados, pelo contrário: o amor nos concede gratidão, isto é, quando amamos, não há coisa melhor do que ver o amado se sentir amado por nós. O amor nos faz agir de forma que não apenas agrademos o nosso estimado, mas que também agrademos o nosso “eu”, amar nos faz se sentir especial e nos impulsiona a agir de forma corajosa para tentar levar o amor ao objeto amado. Diferente do que muitos pensam, amar não é ficar tentando bajular o outro a todo momento com medo de que o outro se afaste, amar nos mostra o quão valorosos podemos ser como seres humanos. É interessante ressaltar que quando se está amando, não está necessariamente sujeito a não infelicidade, é necessário que reflitamos, pois, amar nos deixa mais vivos. Amar nos faz existir (SHINYASHIKI e DUMÊT, 1988).

Amar é estar sujeito ao destino, tão misterioso que é impossível de saber o que fazer a não ser que a hora chegue e você fique de frente com a “coisa” “amor”. Estar sujeito a este incerto destino que provém de um inesperado amor, é estar à mercê de riscos, sacrifícios e é claro, de dádivas, como sendo uma das melhores sensações possíveis. Desejo e amor andam lado a lado, mas nunca podem ser iguais. Enquanto o desejo se aproveita das diferenças, querendo consumir, devorar, devastar; o amor tem o desejo de proteger, cuidar do objeto de amor, tentando alcançar o outro (BAUMAN, 2004).

No entender de Bauman (2004) “Fiéis a sua natureza, o amor se empenharia em perpetuar o desejo, enquanto este se esquivaria aos grilhões do amor” (BAUMAN, 2004, p. 25).

O amor não é um sentimento. E quando se pensa que é, deixamos com que ajamos com base nos sentimentos, então, ao invés de fazermos algo a respeito das coisas, simplesmente deixamos acontecer com base em nossos sentimentos. E nossas condutas não deviam ser conduzidas por eles; nossas condutas teriam quer ser “[…] guiadas por nossas esperanças, nossos valores e nossas aspirações. ” (KELLY, 2007, p. 85).

 

  • MEDO/INSEGURANÇA

Se por um lado, conhecemos para poder amar, temos medo para nos abrir. Quando queremos amar e sermos amados, é natural que demonstremos as nossas melhores “caras”, mas quando temos medo de mostrar o nosso verdadeiro “eu”, com todas as imperfeições e defeitos, recorremos ao fingimento, pois queremos fazer com o que outro se agrade com aquilo que vê. Contudo, o desejo de ser amado por quem somos, ainda permanece, ou seja, a insegurança quanto à verdade, limita a intimidade da relação. O temor da rejeição é real: enquanto não estivermos prontos para superar esse medo, estaremos suscetíveis à solidão. As tentativas de preencher o vazio que sentimos podem ser viciosas ou virtuosas, os vícios só aumentam esse vazio e deixam a solidão mais intensa, enquanto evitamos os riscos da intimidade, afim de encontrar a liberdade da solidão (KELLY, 2007).

Segundo a autora “A sensação de que ninguém nos conhece de verdade pode ser uma das formas mais debilitantes de solidão e é gerada por nossa própria falta de disposição para nos revelar ” (KELLY, 2007, p. 22).

O medo de amar é tão grande quanto o de ser amado. O amor nos deixa suscetíveis a inúmeros sentimentos, dentre eles, a insegurança quanto à rejeição e o abandono são os mais aterrorizantes. O medo da rejeição te impede de tentar a “ (re) começar”, já o medo de amar, pode estar presente mesmo que você tenha algum parceiro, isto é, não importa com quem você esteja, se você não está disposto a entender a si mesmo, dando desculpas e razões para explicar suas inseguranças, você está fadado ao medo contínuo do abandono (SHINYASHIKI e DUMÊT, 1988).

 

  • RELACIONAMENTO

Muitos relacionamentos são iniciados com a ideia de que poderia ser fácil como um simples jogo, com a mais pura intenção de exclusivo prazer, e é aí, que as coisas começam a dar erradas: as inseguranças, insatisfações, o desencanto. São esses relacionamentos que mais tendem a fazer pessoas sofredoras e amarguradas. Uma “ressaca sexual” (1988, p. 21) provém dessas relações momentâneas que tanto ouvimos falar atualmente: “uma noite e nada mais”, e por isso, comete-se o pior dos crimes: agressão ao próprio psicológico, ainda que no começo, você não leve nada em comparação, não se preocupe com nada, nem como ficará futuramente, com o tempo, o vazio que se sente vai aumentando até parecer incurável, o sentimento de violação é apavorante, e a necessidade de sentir amado verdadeiramente e desejar um relacionamento sólido é imensurável. Estar com a pessoa com quem se ama é um dos maiores ensejos para estar consigo mesmo, e assim nos habilitar a se relacionar com o nosso amado (SHINYASHIKI e DUMÊT, 1988).

Quando se tem um relacionamento, a verdade é que a ruína nunca vem de uma só pessoa, mas do casal, assim como o seu sucesso, nunca haverá um ganhador e um perdedor, sempre haverá dois ganhadores ou dois perdedores. É indispensável que saibamos como e com quem gastar o nosso tempo e as nossas forças que não são ilimitadas: com aqueles que consideramos serem as pessoas certas. Estando em um relacionamento, é fato que conforme ele vai ganhando um espaço na sua vida, à medida que ele vai se desenvolvendo, seja de uma forma boa ou ruim, isso vai afetar nas outras áreas da sua vida, então, se há uma boa relação, automaticamente, você se torna melhor, e o contrário também é efetivo, por isso, é importante que, em conjunto, o casal se esforce e dedique mais tempo para obter um resultado melhor em seu relacionamento (KELLY, 2007).

No mundo atual, as pessoas contradizem seus desejos quando se referem à relacionamento: desejam ter um ombro amigo, um lugar para se abrigar nos momentos de angústia, mas têm receio em se comprometer, porque, a partir do momento em que elas fizerem isso, terão que passar e aguentar por algumas condições e preocupações que acreditam não serem suportáveis e que restrinjam sua liberdade para se relacionar (BAUMAN, 2004).

“[…] desfrutar das doces delícias de um relacionamento evitando, simultaneamente, seus momentos mais amargos e penosos; forçar uma relação a permitir sem desautorizar, possibilitar sem invalidar, satisfazer sem oprimir…” (BAUMAN, 2004, p. 9).

 

3.ACERCA DO QUE PODE SER O AMOR

Neste capítulo, encontramos o desenvolvimento do tema proposto, que nos leva às seguintes discussões: o que pode dar errado numa relação, é possível amar e mudar faz parte.

 

  • O QUE PODE DAR ERRADO NUMA RELAÇÃO

 

Atualmente, as relações têm ganhado maior efemeridade. É comum vermos casos de “uma só noite”, “trocas” e “devoluções” quando se trata de um parceiro, e isso, muitas das vezes, pode acabar nos afastando e nos frustrando com aquilo que chamamos e conhecemos como amor. Constantemente, isso ocorre quando o medo há de tomar, (se não já tomou) conta do indivíduo, e isso o faz com que procure desesperadamente uma maneira de escapar da solidão, e aí, é que vem a necessidade se unir a alguém (BAUMAN, 2004 & SHINYASHIKI e DUMÊT, 1988).

E quando isso acontece, o desapontamento consigo mesmo e o com a relação torna- se indubitável, a sensação de que tudo tem sido engano, um erro, e de que está se esquecendo de algo, como se fosse nada mais que um desleixo com seu próprio “eu” é incontestável, fazendo parecer que não cumpriu com as obrigações que tem consigo mesmo, como se estivesse apenas desperdiçando seu tempo e deixando de aproveitar novas oportunidades (BAUMAN, 2004).

Normalmente, a competição em um relacionamento provém do desejo de vingança. Quando o outro nos faz algo, e não “deixamos aquilo barato”, buscamos alguma oportunidade para dar o troco, e então, esse estímulo cria um ciclo vicioso. E assim, o “amor não pode fluir”. Mas, é possível superá-lo, basta admitir e querer mudar, demonstrar um para o outro, tudo o que ele tem de bom. Quando esse sentimento de vingança existe, e o outro não compartilha desse mesmo sentimento, isso acaba levando a desconfiança do “vingativo”, de forma que ele apenas comece a fingir que está amando, enquanto o outro, ama em sua plenitude. E, quando se descobre, o resultado não poderia ser diferente: sofrimento. E muitas das vezes, o desacerto que lhe causou tamanha fatiga, ao invés de admitir sua culpa, a pessoa procura incansavelmente, algo a culpar (geralmente culpam o destino, a falta de sorte, etc.), inconscientemente, negando seu fracasso na relação, e, ocasionalmente, essa negação leva a inúmeras tentativas, fazendo com que ele creia que ninguém é capaz de amá-lo, e dessa forma, está sujeito à solidão (SHINYASHIKI e DUMÊT, 1988 & BAUMAN, 2004).

Pessoas desgastadas e mortalmente fatigadas em consequências de testes de adequação eternamente inconclusos, assustadas até a alma pela misteriosa e inexplicável precariedade de seus destinos e pelas névoas globais que ocultam suas esperanças, buscam desesperadamente os culpados por seus problemas e tribulações. (BAUMAN, 2004, p. 143).

 

  • MUDAR FAZ PARTE

Todos temos nossas características, e nem sempre, elas são possíveis de mudar, quando se fala sobre particularidades de sua essência, por exemplo. Mas, também existem comportamentos que resultam de suas experiências passadas, e para mudá- las, requer esforço para tal. E, existem as condutas que podem ser facilmente modificadas com uma simples força de vontade. Contudo, independentemente de qual seja o tipo de transformação, é necessária reflexão para saber como e se é possível fazer isso. Se por um lado, temos pessoas exigindo mudanças irrealizáveis, temos pessoas que não têm vontade alguma de mudar. Em um primeiro momento, devemos considerar a dimensão de nossos pedidos, e não deixar que o outro se sobrecarregue apenas porque o nosso apelo não foi atendido, e depois, respeitar o outro por sua decisão, e aprender a lidar com essa particularidade. Antes de tentar mudar o outro, é preciso uma análise de si mesmo para saber se não há algo a mudar para que o outro sinta-se à vontade com o pedido de mudança. (SHINYASHIKI e DUMÊT, 1988).

Sempre há três possibilidades de mudanças na relação: o eu, o outro e a relação. A única que depende exclusivamente da pessoa é o eu. O outro depende dele. E a relação, dos dois. Portanto, se você quiser ter a certeza de algo diferente vai acontecer, mude a si mesmo primeiro. (SHINYASHIKI e DUMÊT, 1988, p. 84).

Dividir a mudança faz parte, não adianta guardar para si algo que pode de mesmo modo acrescentar na vida do outro. Então, compartilhar informações, quaisquer que elas sejam, contribui para o relacionamento. De nada adianta evitarmos o outro, apenas coexistindo, sem esclarecer suas pendências, levando a acomodação do desacerto. Isso pode gerar um desgaste e, consequentemente, a separação. É deveras importante saber também quando mudar; fechar-se para o problema, e forçar o outro a mudar sozinho, criando um muro entre as intenções e sentimentos, endurecendo o seu coração, só faz com que o outro e você mesmo se magoe, e assim, a teimosia toma conta da relação, e continuar com que não pode ter êxito dessa maneira, somente corrói o coração, e caso a relação termine, o outro que pode chegar a vir, poderá sofrer com as antigas angústias não-resolvidas de um outro relacionamento. Ninguém merecer ser culpado por algo de qual nem estava presente, e muito menos, pensava em estar; seu próximo amor não tem culpa de suas frustações passadas (BUONFIGLIO, 1997 & GRZYBOWSKI, 2004 & CARDOSO e CARDOSO, 2012).

 

  • É POSSÍVEL AMAR

Disciplina sempre foi associada a exigências sem folgas e controle excessivo, porém, quando se fala em disciplina no amor, ela é necessária para que se obtenha o melhor de si mesmo e, consequentemente, da relação. A disciplina deve vir de si mesmo e esse é o maior favor que você deve fazer a si. É ela que lhe pode conceder uma vida plena. A disciplina leva à liberdade, mas não aquela liberdade de “achismo”: “eu faço o que eu quero na hora em que eu quero”, liberdade é ter o poder de escolha. E a partir do momento que se escolhe ser disciplinado, se tem a liberdade de escolher, e assim, escolher se tornar uma pessoa melhor (KELLY, 2007).

Pessoas guiadas por sentimentos tornam-se perigosas, porque são indisciplinas, volúveis e pouco dignas de confiança. É preciso valorizar as pessoas guiadas por seus valores e com uma compreensão clara de seu propósito. Elas são disciplinadas, persistentes e confiáveis. (KELLY, 2007, p. 85).

Contudo, o amor ainda é o âmago da vida. Amar é a nossa mais imprescindível missão, amar a si mesmo, na tentativa de ser uma pessoa melhor, amar o outro, para encorajá-lo a se tornar melhor. No entanto, é necessário que você seja livre, para poder se entregar ao outro completamente, e não há como fazer isso sem ter o poder sobre si mesmo, sem “ser dono de si mesmo” (KELLY, 2007).

Segundo Kelly (2007) “A posse de si mesmo é a liberdade. Ela é um pré-requisito para o amor e só pode ser obtida por meio da disciplina. ” (KELLY, 2007, p. 55).

Já para Shinyashiki e Dumêt (1988) “A suprema liberdade/ é poder deixar-se ser/ possuído pelo/ sentimento de amor. ” (SHINYASHIKI e DUMÊT, 1988, p. 123).

Qualquer pessoa ou coisa é digna de ser amada, ou seja, amar não está ligado diretamente com o objeto prezado em questão, com o que ele é, mas sim, com o que se sabe dele que o faz ser amado. É possível aprender a amar, assim como aprendemos a amar, a pintar, a cantar, o amor também é uma habilidade aprendível. A falta de conhecimento sobre o amante, nos faz inseguros, duvidosos, porque, se não se sabe sobre seus defeitos, costumes, hábitos, quando isso vêm à tona, te deixa apreensivo por estar na frente do desconhecido (CARDOSO e CARDOSO, 2012).

Nunca um sentimento, o amor é uma escolha. “Amar é um verbo, não um substantivo. Amar é algo que fazemos, não algo que nos acontece. ” (2007, p. 85). E sendo uma escolha, ela nem sempre será fácil; algumas vezes, ao escolher o amor, temos que escolher entre “dar” e “recusar”, mas escolher o amor, sempre vai ser a melhor escolha. A melhor decisão sempre vai ser a de amar, idependentemente de qual seja a atitude do outro em resposta ao seu amor, quando se ama, se tem a oportunidade de engradecer a alma, e quando se nega esse amor, por mais “justificável” que seja a razão, isso só faz com que magoe a si mesmo, por que, você deixa de cumprir uma obrigação consigo. Enquanto estiver escolhendo amar, ninguém, de modo algum poderá te diminuir (KELLY, 2007).

Em suma, o amor é o que podemos ter de mais belo em nossas vidas, que vem de nossa alma e coração, compartilha-se e demonstra-se para o outro para que ele veja toda essa graciosidade que o amor pode vir a ser. “[…] estampamos um letreiro em nossos corações que diz: ‘Se vem com amor, pode entrar! ’” (SHINYASHIKI e DUMÊT, 1988, p. 154).

4.CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O amor não é incondicional, não basta existir para ser amado, é necessário fazer algo para tal. Requer esforço, força de vontade, e acima de tudo, disposição para amar. Porém, isso não quer dizer que amar é difícil, pelo contrário, é mais simples do que parece, difíceis e complexas são as pessoas; suas particularidades, sua essência, moldam o que conhecemos como amor. Isso não faz o amor ficar desinteressante, é totalmente o oposto, somos nós que fazemos o amor ser tão extraordinário como é.

Apesar disso, estamos suscetíveis ao erro, somos humanos, sermos perfeitos está longe de nosso alcance, e quando negamos a nossa incapacidade, ficamos vulneráveis a qualquer que seja a situação, por que temos medo de que o outro saiba o quão imperfeitos podemos ser. E assim, estamos mais propensos à solidão. Relacionar-se exige empenho constante de ambas as partes, porque amar, é tão belo que precisa ser compartilhado.

Após o término da pesquisa, percebe-se que a proposta do trabalho foi alcançada: trazer reflexão. Infelizmente, muitas pessoas deixaram de enxergar o amor como algo que nos faz merecedor, temos o visto como uma atividade comum do dia a dia, que não exige nosso cuidado e acabamos por tratar com desleixo como se fosse uma coisa que deveria acontecer automaticamente. Ter uma relação que seja de fato verdadeira, acaba sendo uma necessidade do ser humano, e para isso, é imprescindível ter coragem. Embora tenha dificuldades, seja para com as mudanças, com o que se “sabe do amor”, com os sentimentos, com o que fazer e com o que não fazer, não se deve deixar de tentar, o presente de amar e ser amado é incomparável.

 

BIBLIOGRAFIA

 

ALENCAR, J. D. Senhora. 2ª. ed. São Paulo: Ciranda Cultural, 2008. AZEVEDO, A. O Cortiço. 19ª. ed. Rio de Janeiro: B. L. Garnier, 1890.

BAUMAN, Z. Modernidade Líquida. Tradução de P. Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.Disponivel em: <https://farofafilosofica.files.wordpress.com/2016/10/modernidade-liquida-zygmunt- bauman.pdf>. Acesso em: 27 Fevereiro 2020.

BAUMAN, Z. Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos. Tradução de C. A. Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. 190 p.

BUONFIGLIO, M. Almas Gêmeas: Como Manter a Magia do Casamento. São Paulo: Oficina Cultural Monica Buonfiglio Ltda., 1997. 199 p.

CARDOSO, R.; CARDOSO, C. Casamento Blindado: O Seu Casamento à Prova de Divórcio. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2012. 269 p.

GRZYBOWSKI, C. C. Como se Livrar de um Mau Casamento: Construindo um Relacionamento Significativo. 2ª. ed. Viçosa: Ultimato, 2004. 108 p.

KELLY, M. Os Sete Níveis da Intimidade. Tradução de F. Abreu. Rio de Janeiro: Sextante, 2007. 221 p.

SHINYASHIKI, R. T.; DUMÊT, E. B. Amar Pode Dar Certo. 39ª. ed. São Paulo: Gente, 1988. 155 p.

[1]    Advogada e consultora jurídica, professora universitária, membro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB, mestre em educação pela Universidade Cidade de São Paulo.

[2]   Acadêmica do Curso de Comércio Exterior da Faculdade de Tecnologia da Zona Leste – FATEC-ZL.>

 

Autores:

GABRIELLY LOPES SOUSA[1]

 

Gisele Passador GISELE PASSADOR[2]
Doutoranda em Educação. Mestre em Educação. Especialista em Direito de Família. Graduada em Direito. Advogada em Escritório de Advocacia desde 1997. Instrutora do Tribunal de Ética e Disciplina – Ordem dos Advogados do Brasil – SP. Professora Universitária desde 1998.
Experiência em metodologias ativas e web learning na área do Direito Civil, Comercial, Tributário, Introdução ao Direito, Legislação Aduaneira, Direito Internacional, Política Comercial Externa, Direito Público e Privado, Filosofia e Ética do Direito. Atuando também na área de projetos em comércio exterior e gestão pública, representações sociais, metodologia de ensino e  formação  de professores.

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